Nutricionista Cíntia Motter Brustolin Já se sabe há muito tempo que alguns alimentos têm funções terapêuticas. É comprovado, por exemplo, que o tomate ajuda a prevenir o câncer de próstata, que a soja alivia os sintomas da menopausa e que o peixe ajuda a reduzir o colesterol. A descoberta dos alimentos funcionais (aqueles que diminuem o risco de doenças) trouxe comprovação científica para o que o filósofo Hipócrates já dizia há cerca de 2.500 anos: uma alimentação adequada ajuda a manter o organismo saudável.
Agora, uma nova área da nutrição a NUTRIÇÃO CLÍNICA FUNCIONAL vem se especializando em trabalhar com as mudanças no cardápio de uma pessoa, a partir do levantamento detalhado de suas características, podem melhorar a sua disposição, tratar problemas como enxaqueca e evitar a ocorrência de doenças crônicas como a obesidade e o diabetes. Já existindo a especialidade nos EUA, no Canadá e na Europa. Em vez de se limitar à prescrição de dietas de alimentos tidos como saudáveis (porque o que é saudável para uma pessoa pode causar doença em outra), a Nutrição Funcional rastreia os sintomas, sinais e características de cada paciente e os relaciona a situações de carência ou excesso de determinados nutrientes. Tudo isso é feito com base em ferramentas e estratégias específicas e muito atuais.
Nutrição Funcional baseia-sem conceitos como o “equilíbrio nutricional e a biodisponibilidade dos alimentos”, ou seja, alimentos e nutrientes que precisam de outros para agir no organismo de maneira positiva ou que, ao contrário, são anulados quando outros estão presentes.
O organismo de cada pessoa é um ecossistema que precisa estar equilibrado, e isso ocorre de acordo com a atuação dos nutrientes em cada uma das trilhões de células. Estudos mostram como a “inflamação celular”, causada por uma reação desarmônica aos nutrientes, estaria na origem de várias doenças, dentre elas a obesidade e o diabetes. Os desequilíbrios nutricionais geram sobrecarga no sistema imunológico e desencadeiam “processos alérgicos” tardios, que acabam por provocar doenças crônicas como a obesidade, depressão, fibromialgia, artrite reumatóide, síndrome do pânico, osteoporose, diabetes, distúrbios de comportamento e hiperatividade infantil, entre outras.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças crônicas não transmissíveis já são responsáveis por 72% das mortes ocorridas no Brasil, sendo que, no mundo, esse valor corresponde a 60%. A OMS acredita que 80% de problemas prematuros do coração, AVC e Diabetes tipo II e 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados se corrigíssemos nossos hábitos alimentares, reduzíssemos o uso de tabaco e adotássemos uma atividade física regular. Dessa forma, se reconhece a importância de um acompanhamento adequado pelos profissionais nutricionistas, para mudanças de hábitos e estilo de vida.