Pesquisa afirma que nem sempre é necessário tratamento invasivo para HÉRNIA DE DISCO
Pessoas que sofreram rupturas de discos lombares geralmente se recuperam, quer passem por cirurgia ou não, dizem pesquisadores em estudo publicado no The Journal of the American Medical Association (http://jama.ama-assn.org). Os cientistas constataram que a cirurgia parece promover o alívio da dor em menos tempo, mas que a maioria dos pacientes acaba se recuperando de qualquer maneira, com o tempo, e que não há mal nenhum em esperar.
Especialistas brasileiros concordam com a conclusão da pesquisa e afirmam que a cirurgia deve ser feita em apenas cerca de 5% dos casos - quando o tratamento não obteve resultado, a dor do paciente é insuportável e há comprometimento dos membros.
Apesar de a indicação ser para uma parcela pequena, especialistas reconhecem que há um excesso de operações, que poderia chegar a até 40% dos pacientes.
- Há uma superindicação, isso é indiscutível, mas que alguns casos precisam de cirurgia também é indiscutível - afirma Mirto Prandini, neurocirurgião e professor de neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O reumatologista do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, e autor do livro Coluna, Ponto e Vírgula (Editora Atheneu, 144 páginas), José Goldenberg, também concorda com os resultados da pesquisa:
- Raramente opero hérnia, a não ser nos casos de indicação absoluta. Os casos bem tratados têm 95% de chance de sucesso.
Para o chefe do Departamento de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo, Tarcísio Barros Filho, a pesquisa mostra que é possível optar entre um tratamento menos invasivo, apesar de um pouco mais longo.
- A maior parte pode ser tratada sem cirurgia, porque, a longo prazo, a tendência é ter a mesma eficácia - enfatiza.
As conclusões da pesquisa foram: - A maioria dos pacientes pode decidir em segurança o que fazer - tratamento com ou sem cirurgia -, baseada em suas preferências pessoais e em seu nível de dor - Embora muitos pacientes não tenham seguido o recomendado, a maioria se saiu bem com qualquer um - Os pacientes submetidos à cirurgia, em muitos casos, relataram alívio imediato da dor. Mas, em um período de três a seis meses, os pacientes de ambos os grupos relataram melhoras significativas - Após dois anos, cerca de 70% dos pacientes dos dois grupos disseram ter sentido "uma melhora importante'' de seus sintomas - Nenhum dos pacientes que esperou para fazer a cirurgia sofreu conseqüências sérias, e nenhum dos que passou pela cirurgia sofreu resultados desastrosos - Muitos cirurgiões temiam que a espera pudesse acarretar danos importantes, mas o estudo comprovou que esses temores não tinham fundamento.
Bento Gonçalves - RS - BRASIL centrofisioterapico@terra.com.br