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Neste trabalho estaremos abordando uma das patologias que mais acometem os atletas e pessoas que praticam esportes ou têm prática física intensa: a tendinite do tendão de Aquiles. O tendão de Aquiles (calcanhar) é o mais potente do corpo humano e corresponde aos músculos da panturrilha, responsável pela flexão plantar (pés para baixo).

É um distúrbio inflamatório, e pode ser dividido em: Paratendinite,isto é, Inflamação do paratendão ou do tecido que circunda o tendão, e Tendinose , que resulta em rupturas nas fibras do tendão.

Ao tendão é imposta força de tensão repetidamente como ocorre na corrida ou nas atividades de salto, especialmente na parte interna do tendão.

MECANISMO DE LESÃO

O desenvolvimento da lesão é quase sempre gradativo e a longo prazo. As atividades repetitivas de sustentação de peso, como a corrida ou treinamento físico, em que a duração e a intensidade aumentam muito rapidamente, com tempo de recuperação insuficiente, pode piorar o distúrbio. Devemos considerar, também, o uso de calçados inadequados à prática esportiva (observar tipo de pisada) como sendo um elemento que pode desencadear a tendinite. Vemos, também, que uma biomecânica alterada, tanto na corrida, como na marcha ou nos saltos, motivam o aparecimento da lesão. Para isso, é necessário corrigir o movimento da corrida, da passada, do ritmo, do contato inicial com o solo. Observar a boa execução técnica do movimento, sem dúvida, minimiza o risco de lesões. Outros aspectos a serem considerados e que aumentam a força de tensão no tendão são:

- Pronação excessiva da articulação subtalar (talus e calcâneo, ossos do tornozelo), com concomitante rotação interna da perna.
- Antepé varo (para fora)
- Tíbia vara
- Anteversão do fêmur (para frente)
Devemos pensar que a diminuição da flexibilidade nos músculos da panturrilha, aumentam a pronação da articulação subtalar, podendo levar à tendinite. Caso o atleta continue a treinar ou competir, o tendão ficará mais inflamado e a musculatura da panturrilha ficará menos eficiente.

SINTOMAS

Geralmente, observa-se, como queixa principal dor generalizada e de rigidez ao redor da região do tendão de Aquiles, que pode se localizar da inserção final no calcâneo até 2 a 6cm acima. Inicialmente, os sintomas podem ser ignorados pelo atleta, que podem estar presentes no início da atividade e cederem ao longo da realização da mesma. Os sintomas podem progredir para rigidez matinal e o desconforto na marcha e após períodos prolongados de permanência na posição sentada.

Outra consideração relevante é que o tendão pode estar quente e doloroso à palpação, assim como espessado, o que é um indicativo importante de cronicidade da lesão. Pode haver crepitação durante movimentação ativa (flexão plantar e dorsal) e a dor será produzida com flexão dorsal passiva (quando o pé se direciona para cima). Existirá sempre uma dor inflamatória persistente que dificilmente cederá ao repouso. Pode aparecer, ainda, um leve edema ao redor do tendão em conseqüência do processo inflamatório. A corrida em aclives ou exercícios físicos em subidas acentuam o problema. Observamos que a contração isométrica (estática) contra a resistência será dolorosa para flexão plantar (ponta do pé para baixo), bem como o alongamento do tendão em flexão dorsal (ponta dos pés para cima).

Devemos considerar que a tendinite do tendão de Aquiles pode ser resistente à resolução rápida em decorrência da recuperação mais lenta do tecido tendinoso, e também por existir uma área hipovascular no tendão (pouca vascularização) que pode retardar ainda mais ou até mesmo impedir a recuperação completa.

CONSIDERAÇÕES PARA O TRATAMENTO

É importante criar um ambiente adequado para recuperação por meio da atividade estressante e da sua substituição por uma atividade que reduzam as tensões no tendão. As anormalidades biomecânicas estruturais, que se manifestam com a pronação ou supinação excessiva, devem ser abordados com o uso de palmilhas e um calçado ideal para seu tipo de pisada: pronada, tênis com mais estabilidade e menos amortecimento, supinada, tênis mais flexível e com mais amortecimento. Feito assim, destacaremos o tratamento, observando:

- Crioterapia pode ajudar a reduzir a dor no início do processo, com ultra-som no modo pulsátil.

- Laser como cicatrizante é um recurso importante na condução do processo.

- Uso de antiinflamatórios orais e de uso tópicos.

- Após fase aguda ultra-som no modo contínuo para facilitar o aumento do fluxo sangüineo no tendão. - Massagem transversa pode ser realizada ao redor do tendão para decompor as aderências que se formam durante a recuperação tecidual e pode melhorar a capacidade de deslizamento do paratendão.

- O alongamento do complexo Gastrocnêmio-Solear (panturrilha), deve ser consistente, usando a parede ou suporte específico. Detalhe para a flexão de joelhos quando se pretende alongar apenas o Solear, ou o joelho em extensão quando se quer alongar o Gastrocnêmio

- O fortalecimento dos músculos do complexo Gastrocnêmio-Sóleo (panturrilha) devem ser realizados com cautela sem sobre esforço no tendão para evitar recidivas, principalmente na fase inicial.

- Manipulação e mobilização do calcâneo.

- Uso de calcanheira de silicone para atenuar o impacto pode ser utilizada, atentando para o fato de não usar por muito tempo, evitando o encurtamento em demasiado do tendão, que pode ser prejudicial.

- E, fundamentalmente, os exercícios de propriocepção. Vale lembrar que, em todas as articulações, temos a presença de mecanorrecptores, que levam informação para o cérebro, que retorna em resposta motora eficaz. A implicação funcional é que os mecanorrecptores detectam mudança e velocidade de mudança, em oposição ao equilíbrio estacionário. Além disso, protege a articulação de lesões causadas por movimentos que excedem a amplitude fisiológica normal. Trabalho em pranchas, tanque de areia, balancinho, etc.

PROGESSÃO DO TRATAMENTO

A modificação da atividade é necessária para que o tendão de Aquiles inicie o processo de recuperação. A natação, a corrida na piscina com flutuador, a bicicleta ergométrica são alternativas de atividades para manter o condicionamento cardiovascular. È importante reduzir o estresse sobre o tendão de Aquiles. O alongamento deve ser realizado várias vezes ao dia ou após modalidades de calor superficial ou ultra-som. O fortalecimento muscular em cadeia cinética aberta (onde os pés estão fora do chão) podem ser realizas com tubos de borracha ou caneleiras, progredindo para o fortalecimento em cadeia cinética fechada ( onde os pés estão em contato com o solo). A progressão caminhada/corrida moderada sobre superfície firme pode ser iniciada quando os sintomas tiverem cedido e o arco de movimento, a força, a resistência e a flexibilidade estiverem normalizadas, em comparação com o lado não-acometido. Deve-se ter conhecimento de que esta progressão é criada para melhorar a capacidade dos tendões afetados, de modo que tolerem o estresse de forma controlada e não para melhorar o nível de condicionamento físico. Este deverá ser mantido com natação e bicicleta ergométrica.

Feito assim, sua recuperação será segura e com breve retorno às atividades funcionais e desportivas.