Quando ocorre uma lesão, o fisioterapeuta é responsável pela elaboração, implementação e supervisão do programa de tratamento. Os protocolos propostos para o tratamento das lesões devem obedecer, as respostas fisiológicas dos tecidos e compreender como estes tecidos cicatrizam em relação às diversas lesões musculoesqueléticas que podem ser encontradas.
As lesões são divididas em:
a) Primárias - macrotraumáticas ou microtraumáticas. b) Lesões secundárias. • As macrotraumáticas são produto de trauma agudo, ocasionam dor e incapacidade imediata: fraturas, luxações, subluxações, entorses, distensões e contusões. • As microtraumáticas são aquelas por esforço repetitivo, resultante de sobrecarga repetitiva ou biomecânica incorreta associada ao treinamento contínuo. • Já a lesão secundária é a resposta inflamatória ou hipóxia (baixa de O2 celular) que ocorre com a lesão primária. Sendo assim, vamos compreender o processo inflamatório.
A INFLAMAÇÃO - Processo constituído de três fases, a saber:
1) FASE DE RESPOSTA INFLAMATÓRIA: a) Inflamação é o processo pelo qual leucócitos e outras células fagocitárias e exudatos são levados ao tecido lesado. Essa reação celular geralmente é protetora e tende a localizar ou desfazer-se dos subprodutos da lesão, estabelecendo assim o cenário para o reparo. b) Esta fase começa logo que ocorre a lesão e pode perdurar até quatro dias. Durante esta fase, o estágio inflamatório do processo de recuperação procura “limpar a bagunça”, criando assim, um ambiente condutor do estágio fibroblástico (2ª fase). c) A imobilidade nas primeiras 24 - 48 horas após a lesão é necessária para controlar a inflamação. Aproximadamente no terceiro ou quarto dia, o edema começa a diminuir e some definitivamente. A área lesionada pode aparecer quente à palpação e alguma descoloração é observada. A lesão ainda se encontra dolorosa ao toque e há dor durante o movimento da parte lesada.
2) FASE DE REPARO FIBROBLÁSTICO: a) Depois que a resposta inflamatória cede, ou se resolve, a fase de reparo começa. Durante este estágio, as células fibroblásticas depositam uma matriz de fibras colágenas e formam o tecido cicatricial. b) Pode começar em até dois dias após a lesão e perdurar várias semanas. Neste ponto, o edema já desapareceu completamente. c) A lesão ainda é sensível à palpação, mas não tão dolorosa. d) A dor também é menor no momento ativo e passivo. e) Assim que a inflamação estiver controlada, deve começar a incorporar ao programa atividades que possam manter os níveis de condicionamento cardiorrespiratório, restituir a amplitude de movimento total, restaurar ou aumentar a força e restabelecer o controle neuromuscular. f) O gelo ainda deve ser aplicado no início para reduzir a possibilidade de edema.
3) FASE DE MATURAÇÃO – REMODELAÇÃO: a) Caracteriza-se pelo realinhamento das fibras de colágeno que compõem o tecido cicatricial. b) O tecido assume, gradativamente, a aparência e funções normais embora a cicatriz raramente seja tão forte quanto ao tecido normal que foi lesado. c) É a mais longa das fases e pode perdurar por vários anos, dependendo da gravidade da lesão. A lesão já não é dolorosa à palpação, embora alguma dor possa ser percebida com o movimento. d) O foco desta fase deve ser a recuperação das habilidades específicas esportivas. Exercícios de fortalecimento muscular, pliométricos, equilíbrio e de condicionamento devem ser incorporados ao programa de tratamento. e) Deve se usar calor profundo (ULTRA-SOM) para aumentar a circulação nos tecidos profundos.
Não compreender a evolução deste processo constitui-se um dos principais erros na condução de um tratamento fisioterapeutico. Muitas das vezes, se utilizam técnicas inadequadas aos períodos específicos, ou se prolonga uma técnica por um período superior ao necessário. Com isso, percebe-se, demora na recuperação do atleta lesionado, e com maior possibilidade de recidivas das lesões.
BIBLIOGRAFIA 1- HAAL, C. M. e BRODY, L. T. Exercício Terapêutico na Busca Da Função. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2001. 2- PRENTICE, W. E. Técnicas de Reabilitação Musculoesqulética. 3ª ed. São Paulo, Manole, 2002. 3- COHEN, M. & ABDALLA, R.J. Lesões nos esportes. Rio de Janeiro, Reverter, reimpressão 2005.